Solidão ou solitude?
- 26 de abr.
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Se buscarmos no dicionário, provavelmente, vamos encontrar a distinção entre essas duas palavras. Mas e na prática, como funciona isso?
A dor da solidão é repleta de angústia, um medo que domina todo o seu corpo e sua mente, algo devastador. Já a solitude está ligada a uma postura, quando decidimos nos escolher, encontrar nosso espaço e preenchê-lo apenas de nós mesmos, envolve um sentimento de libertação, uma sensação de leveza e autocontrole.
Em uma fase na minha vida caótica, em meio ao tratamento oncológico, me deparei com a solidão, quando na verdade o que eu mais queria era receber colo. Sempre tive medo de viver isso e de repente estava vivendo essa dor da solidão. Então, precisei encontrar forças dentro de mim, parar de sofrer, respirar fundo, meditar, orar... A partir daí tive coragem de pedir ajuda às minhas amigas, que me preencheram com suas palavras e me fizeram sentir de novo parte de algo, ainda que fosse algo diferente do que eu tanto queria naquele momento.
Aos poucos, com muitas conversas, intercalando momentos de altos e baixos, fui descobrindo a solitude e entendendo que talvez esse fosse o caminho para amenizar a sensação de vazio da solidão.
A solitude nos permite enxergar a vida de uma forma mais leve, e a perceber que temos valor para nós mesmas. Através dessa nova forma de encarar a vida solitária é possível controlar melhor as emoções e viver um dia de cada vez, sem medo da rejeição do outro. É uma percepção de liberdade, de que podemos viver sem depender de nada e ninguém e, melhor, que também não precisamos nos preocupar tanto com mais ninguém. Continuaremos a ser solidárias, gentis, responsáveis com o próximo, mas podemos nos colocar sempre em primeiro lugar. Afinal, é hora de pensar em quem pensou tanto em outras pessoas. É o momento do autocuidado, do fortalecimento do indivíduo como tal ser único, que precisa optar por viver sua própria vida. Se no caminho encontrarmos outras pessoas, que provavelmente encontraremos, se valer a união, podemos voltar a caminhar com companhia, mas sempre enxergando que precisamos andar com nossas próprias pernas, sem nos escorarmos em ninguém, mesmo que isso pareça a princípio mais confortável... precisamos aprender de uma vez por todas a andar sem apoio, precisamos correr sem muletas, precisamos saltar as barreiras da vida com a capacidade de fazer isso que a vida madura nos ensinou.
Hoje, ao escrever isso, sinto solitude, sinto que me escolhi, simplesmente porque eu importo para mim mesma. Pode ser que ainda me depare com a solidão mais vezes, mas vou tentar me lembrar que o meu caminho é só meu... que eu preciso e quero ser feliz por mim mesma. Esse é meu direito desde meu renascimento após superar o cancro. Eu sobrevivi a tanta coisa. Agora, vou encontrar a beleza de ser feliz por escolha minha e só minha.



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